A AVENTURA DO PENSAMENTO NA HISTÓRIA DA FILOSOFIA

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

LEIBNIZ E A CONCEPÇÃO ILUMINISTA DO UNIVERSO E DO CONHECIMENTO

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716)
Gottfried Wilhelm Leibniz, nascido em Leipzig, em 1646 e falecido em Hannover, em 1716, é um dos grandes representantes da filosofia moderna. Ele sistematizou a metafísica que melhor respondia às preocupações de conciliação entre razão e fé, tradição e modernidade, filosofia e teologia, num momento em que muitos espíritos queriam voltar as costas, definitivamente, para a Idade Média. Leibniz foi um conciliador, mas não um eclético superficial. Profundo conhecedor da ciência do seu tempo, era portador de incrível erudição, que o familiarizava com a física e a matemática, até a geologia e o direito. Conheceu profundamente o pensamento medieval, bem como as escolásticas espanhola e portuguesa. A sua idéia de formular uma metafísica que dialogasse com a ciência moderna[1], foi-lhe incutida pela leitura de um filósofo espanhol: o padre jesuíta Francisco Suárez (1548-1617), que ensinou em Salamanca, Évora e Coimbra. Leibniz era um estudioso da teologia cristã, na vertente platônico-augustiniana, mas esteve também aberto a outras concepções teológicas, como, por exemplo, a decorrente do budismo tibetano.

O pensamento leibniziano representou a versão mais coerente da primeira etapa do Iluminismo europeu, aquela construída ao redor do absolutismo. Efetivamente, essa corrente de idéias, que apregoava o domínio das luzes da razão em todos os campos da vida humana, possui duas etapas: absolutista (que acompanha o reinado de Luís XIV, o representante máximo dessa vertente, no terreno institucional, e que se estende ao longo do século XVII até 1715) e revolucionária (observável nos movimentos sociais ocorridos ao longo do século XVIII). Na vertente absolutista do Iluminismo, encontramos o pressuposto de que o império da razão na vida humana e na sociedade acontece por força das luzes difundidas pelo soberano absoluto. A manifestação material mais evidente desse movimento consistiu na urbanização de Paris por obra de Luís XIV, com as muralhas medievais sendo substituídas pelos bulevares de planejamento estético, bem como pelo traçado geométrico das avenidas, a começar pela Ilha São Luís e por Versailles (que irradia a linha reta, a partir do Palácio Real). A Praça Real seria o centro dessa vertente urbanística (como é o caso da Praça das Vitórias, em Paris).

Na vertente revolucionária do Iluminismo, explicita-se a idéia de que as luzes iluminam a todos os cidadãos, sendo conseqüência disso, num primeiro momento, a proliferação de visões de mundo, cada uma delas portadora de concepções novas acerca do homem e do mundo. Num segundo momento, a racionalidade se polariza ao redor de concepções salvíficas do homem, em teorias messiânico-políticas cujas principais manifestações ocorreram nas filosofias de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) e de Henri-Claude de Saint-Simon (1760-1825), na segunda metade do século XVIII e duas primeiras décadas do XIX. A manifestação material dessa vertente, no urbanismo, ocorreu a partir da Praça do Povo ou da Nação, que substituiu a Praça Real.

É sabido que Leibniz representou a versão mais completa de proposta iluminista ao redor do poder absoluto do monarca. O filósofo prussiano desenvolveu amplo leque de propostas políticas, que fariam da monarquia de Luís XIV o centro irradiador da ordem e da racionalidade, tanto na França, quanto na Europa cristã que, ao redor desse Monarca, encontraria garantida a sua unidade, a fim de fazer frente ao inimigo comum da cristandade, o Islamismo. Nosso pensador tornou-se, assim, o precursor da Unidade Européia [2].

A obra de Leibniz é extensíssima, sendo que a edição das Obras Completas (hoje, com mais de 40 volumes publicados), ainda não foi completada. Mencionemos algumas das obras mais representativas: De arte combinatória (1666), A profissão de fé do filósofo (1673), Discurso de Metafísica (1686), Acerca da harmonia pré-estabelecida (1695),  Sistema novo da natureza e da comunicação das substâncias, bem como da união entre a alma e o corpo (1695), Considerações acerca da doutrina de um espírito universal (1702), Novos ensaios sobre o entendimento humano (1704), Ensaio de Teodicéia (1710), Monadologia (1714), Princípios da natureza e da graça (1714), Filosofia para princesas (1714) e Escritos sobre a China (1716).

Síntese acerca da Teoria do Conhecimento em Leibniz: em 10 pontos poderíamos sintetizar as idéias essenciais de Leibniz, destacando os aspectos relativos à Teoria do Conhecimento e à Metafísica:

1 – Ponto de partida: crítica à metafísica dualística de Descartes. Deus, que é perfeição infinita, não pode ter criado um universo bitolado em duas substâncias irreconciliáveis (res extensa e res cogitans), na forma em que foi pensado por Descartes. Para Leibniz, a matéria é apenas aparência da força ou da energia. Ela não constitui, portanto, uma substância oposta ao espírito. A raiz ôntica de tudo quanto existe no universo é a mônada, não redutível à extensão e definível fisicamente como força. Esta afirmação coloca a metafísica leibniziana bem perto da física contemporânea, que se manifestou claramente incompatível com uma noção estática de substância.     

2 – Deus, portanto, criou o “melhor dos mundos possíveis”, caracterizado pelo princípio da “harmonia preestabelecida”. Nesse universo harmônico, deve constar a presença do homem dotado de liberdade, pois não se poderia imaginar o melhor dos mundos possíveis se faltasse, nele, a perfeição representada pelo bem moral, que pressupõe a liberdade. Tudo, no universo, está orientado a construir a cidade de Deus, que é o reino das mônadas espirituais sob o comando da Mônada Infinita. Deus vigia como pai providente para que tudo de bom aconteça aos seus filhos. Esse providencialismo, exposto no Discurso de Metafísica[3], teve grande repercussão no pensamento português.

3 – O homem está chamado a tomar conhecimento da “harmonia preestabelecida” do Universo. Nisso consiste a verdade e a máxima felicidade do espírito. A nossa bem-aventurança, na Terra, consiste em contemplarmos a harmonia do Cosmo, que espelha a perfeição divina. Leibniz tornava-se portador, na modernidade, do ideal de perfeição harmônica defendido, na Antigüidade, por pitagóricos e neoplatônicos[4].

4 – O homem apreende, pelo seu conhecimento, a harmonia do Universo em dois níveis: matemático (pela ciência da natureza) e metafísico (pela filosofia), sendo que esta última constitui a apreensão mais completa da “harmonia preestabelecida”. Nas ciências, apreendemos a harmonia com a ajuda das matemáticas. Nelas, joga um papel importante o “cálculo infinitesimal”, que nos habilita a apreendermos a harmonia cósmica no contexto de uma infinita quantidade de variáveis. Na filosofia, apreendemo-la com a ajuda dos conceitos metafísicos, que exprimem a harmonia da totalidade. A ars combinatoria constitui, para as ciências e a filosofia, poderoso instrumento lógico que nos possibilita superar as contradições decorrentes dos significados equívocos das palavras (“calculemos para que nos entendamos”, afirmava Leibniz). O pensador alemão coloca-se, assim, como precursor da lógica matemática, que foi sistematizada por Bertrand Russel e Alfred North Whitehead no início do século XX[5].

5 – Cerne da metafísica leibniziana: a monadologia. O universo foi formado mediante a criação, por Deus, de infinitas unidades substanciais de energia ou mônadas. Essas unidades estão rigorosamente hierarquizadas e organizadas pelo Supremo Arquiteto do Universo (Deus) que age à maneira de Causa Final, no contexto de um modelo que hoje caracterizaríamos como finalistico-cibernético[6].  A matéria, em si, não existe. Ela é apenas manifestação da única realidade existente: a força ou energia, constituída pelas mônadas. Estas podem, portanto, expandir no espaço a sua essência, ou contraí-la num ponto (à maneira dos buracos negros postulados pela astrofísica contemporânea). Cada uma das mônadas encerra, dentro de si, uma representação da harmonia do Cosmo. Contrariando o ocasionalismo de Nicolas Malebranche (1632-1715), que negava realidade ôntica ao mundo físico e o reduzia a vácua aparência, Leibniz considerava que as mônadas (hierarquizadas em não espirituais e espirituais) davam fundamentação ao mundo físico. As mônadas são entes reais que abarcam a representação do universo e interagem, não em virtude de uma causalidade eficiente, mas no contexto de uma finalidade que abarca toda a realidade. Alicerçado num modelo matemático-finalístico, Leibniz concebe a Mônada Infinita como sapientíssima programadora da inter-relação das ações que se passam entre as mônadas finitas, de forma tal que as ações encaixem perfeitissimamente entre as mônadas. A representação da harmonia cósmica, nos seres humanos, é consciente, sendo que os demais seres não possuem essa consciência, o que torna o homem o Rei da Criação, não para atrapalhar a ordem da “harmonia preestabelecida”, mas para, com a luz da razão, reconhecer essa ordem harmônica e louvar a Deus. Por um caminho intuitivo, caudatário da idéia pitagórica de harmonia, o nosso pensador aproximou-se da física contemporânea, que relativiza a idéia de matéria e que coloca em destaque a presença, no Cosmo, de forças internas do átomo, como fundamento de toda a realidade material[7].

6 – A liberdade humana é um postulado teológico que se depreende da tese do “melhor dos mundos possíveis”. Se Deus não tivesse criado o homem livre, faltaria ao Cosmo uma perfeição importante, a mais exímia entre as perfeições finitas: a liberdade. Como conciliar a liberdade com a “presciência divina?” – Ao praticar o mal, o homem não está dando ensejo a um ser: o mal moral é entendido por Leibniz como ignorância (carência de conhecimento) de parte do homem, da “harmonia preestabelecida” por Deus no Cosmo. O pecador é um ignorante. A sua infelicidade consiste em desconhecer a ordem cósmica. Para Leibniz, “Deus escreve certo com linhas tortas”. Ele, na sua infinita sabedoria, antecipa-se a todos os nossos comportamentos, certos ou errados. Permite os atos errados, como decorrentes da nossa liberdade. Mas, tomando conhecimento do contexto em que eles acontecem, minimiza-os mediante uma ação providencial, que coloca as más ações dos pecadores junto às boas ações dos homens virtuosos, a fim de que o conjunto de todas as ações humanas seja harmonioso, como num grande mosaico bizantino. As pedrinhas escuras, irregulares, seriam as más ações. Mas estas praticamente desaparecem, ofuscadas pelo brilho das pedrinhas que representam, reluzentes e coloridas, os inumeráveis atos virtuosos dos homens bons. Assim, a ação dos maus serve como pano de fundo que ressalta a beleza das boas ações. No contexto deste arrazoado, Leibniz formula o seu “providencialismo” ou “lex melioris”, que se estende a todos os seres do Cosmo. Nada foi criado para ser aniquilado. Isto iria contra a bondade infinita de Deus. Todos os seres foram criados para integrarem o Universo definitivamente liberto do Mal, na Parusia (à maneira como, no século XX, Teilhard de Chardin imaginou a caminhada de toda a criação em direção ao Ponto Ômega). As unidades de energia, que são as mônadas, revestir-se-ão da mais maravilhosa materialização que poderíamos imaginar, a fim de toda a criação testemunhar a grandeza e a sabedoria infinitas do Criador[8].

7 – A sociedade humana, na sua organização política, deve refletir a harmonia cósmica, mediante a estruturação harmônica das instituições a serviço do bem comum dos cidadãos, preservado graças à sabedoria previdente do Rei, que constitui uma espécie de poder moderador entre todas as forças sociais e os indivíduos, a fim de que o bem de todos se realize. As teorias do poder moderador ou do poder neutro, que foram formuladas no século XIX por Jacques Necker, Benjamin Constant de Rebecque, François Guizot, Silvestre Pinheiro Ferreira, Domingos Gonçalves de Magalhães, Paulino Soares de Sousa, etc., encontram em Leibniz o seu inspirador.

8 – Do ponto de vista religioso, Leibniz apelava para o ecumenismo entre todas as Igrejas cristãs, superando o trágico período das guerras de religião, que ocorreram na Europa ao longo dos séculos XVI e XVII. O filósofo imaginava que esse ecumenismo poderia ser construído por um Monarca cristão ilustrado (Luis XIV, da França), que faria uma espécie de pacto moderador entre as várias igrejas, incluídos os católicos e os outros príncipes e soberanos europeus, a fim de fazer frente à ameaça do Islã. Leibniz chegou a cogitar numa ordem político-religiosa universal, que incluísse a China, mediante a relação de diálogo e de atividades conjuntas entre cristãos ocidentais e budistas tibetanos.

9 – Do ângulo antropológico, Leibniz considerava que os seres humanos, criados por Deus à sua imagem e semelhança, davam ensejo a criações variadas que deveriam ser conhecidas na sua origem e nas suas manifestações, não se restringindo isso à cultura européia. Para apreendermos o fenômeno humano, pensava Leibniz, seria necessário abordarmos todas as culturas, respeitando a sua identidade, num esforço de abertura às criações humanas. No contexto dessa abertura cultural, situavam-se os estudos de Leibniz sobre a civilização chinesa[9]. Este aspecto contrastava, evidentemente, com as reservas que o filósofo tinha em face do Islamismo.

10 – O filósofo desenvolveu amplo trabalho de aconselhamento a reis e príncipes europeus, na tentativa de consolidar a unidade continental européia, num contexto global. Essa idéia da Europa Unida seria retomada, no início do século XIX, por Napoleão Bonaparte e, no século XX, pelos idealizadores do Mercado Comum Europeu e, ulteriormente, da Unidade Européia. Uma obra testemunha o trabalho de aconselhamento do filósofo: o seu ensaio intitulado Filosofia para Princesas [10]. Paralelamente, Leibniz figura como um dos precursores do hodierno ecumenismo entre os cristãos, ao insistir, na sua obra, na necessidade das várias denominações cristãs superarem a guerra religiosa que grassava na Europa no século XVII, a fim de que, unidos, os cristãos pudessem dar um testemunho claro da caridade e conseguissem fazer frente ao inimigo comum que os ameaçava: o Islã. Mas as preocupações leibnizianas com a unidade européia inseriam-se num contexto mais amplo: o de uma perspectiva global, que abarcava, estrategicamente, uma aliança da Europa com o Império chinês, que estaria próximo, segundo o pensador, do budismo tibetano, uma forma de proto-cristianismo, segundo os estudiosos da época[11].

BIBLIOGRAFIA

LEIBNIZ, G. W. Discurso de Metafísica, 6ª edição, (tradução do francês, prólogo e notas de Alfonso Castaño Piñán), 1982.

LEIBNIZ, G. W. Discurso sobre la Teología Natural de los Chinos. (Tradução do francês e prólogo de Lourdes Rensoli Laliga), Buenos Aires: Prometeo, 2005.

LEIBNIZ, G. W. Filosofia para princesas, (prólogo, tradução e notas de Javier Echeverría),  Madrid: Alianza Editorial,  1989.

LEIBNIZ, G. W. La profesión de Fe del Filósofo, 3ª edição, (tradução do latim, prólogo e notas de Francisco de P. Samaranch), Buenos Aires: Aguilar, 1978.

LEIBNIZ, G. W. Monadología, 7ª. Edição, (tradução do francês, prólogo e notas de Manuel Fuentes Benot), Buenos Aires: Aguilar, 1980.

LEIBNIZ, G. W. Nuevo Tratado sobre el Entendimiento Humano, 2 volumes, 3ª edição, (tradução do francês e prólogo de Eduardo Ovejero y Maury), Buenos Aires: Aguilar,  1980-1981.

LEIBNIZ, G. W. Sistema nuevo de la Naturaleza y de la Comunicación de las sustancias, así como también de la Unión entre el Alma y el Cuerpo. 3ª edição, (tradução do francês e prólogo de Enrique Pareja), Buenos Aires: Aguilar, 1981.

LEIBNIZ, G. W. The early Mathematical Manuscripts of Leibniz. (Prólogo, tradução e notas de James Mark Child), Chicago: Open Court, 1920.

VÉLEZ-RODRÍGUEZ, Ricardo. Luz nas trevas: ensaios sobre o Iluminismo, Guarapari-ES: Ex-Libris, 2006.

VÉLEZ-RODRÍGUEZ, Ricardo. Tópicos especiais de Filosofia Moderna. Juiz de Fora: Editora da UFJF; Londrina: Editora da UEL, 1995.





[1] Cf. LEIBNIZ, G. L. Sistema nuevo de la Naturaleza y de la Comunicación de las sustancias, así como también de la Unión entre el Alma y el Cuerpo. 3ª edição, (tradução do francês e prólogo de Enrique Pareja), Buenos Aires: Aguilar, 1981.
[2] Cf. o capítulo intitulado: “Paris das Luzes”, na obra da nossa autoria: Luz nas trevas: ensaios sobre o Iluminismo, Guarapari-ES: Ex-Libris, 2006.
[3] Cf. LEIBNIZ, G. L., Discurso de Metafísica, 6ª edição, (tradução do francês, prólogo e notas de Alfonso Castaño Piñán), 1982.
[4] Cf. LEIBNIZ, G. L., Nuevo Tratado sobre el Entendimiento Humano, 2 volumes, 3ª edição, (tradução do francês e prólogo de Eduardo Ovejero y Maury), Buenos Aires: Aguilar,  1980-1981.
[5] Cf. LEIBNIZ, G. W. The early Mathematical Manuscripts of Leibniz. (Prólogo, tradução e notas de James Mark Child), Chicago: Open Court, 1920.

[6] Cf. LEIBNIZ, G. L., Discurso de Metafísica, ob. cit.
[7] Cf. LEIBNIZ, G. L., Monadología, 7ª. Edição, (tradução do francês, prólogo e notas de Manuel Fuentes Benot), Buenos Aires: Aguilar, 1980.
[8] Cf. LEIBNIZ, G. W. La profesión de Fe del filósofo, 3ª edição, (tradução do latim, prólogo e notas de Francisco de P. Samaranch), Buenos Aires: Aguilar, 1978.
[9] Cf. LEIBNIZ, G. W. Discurso sobre la Teologia Natural de los Chinos. (Tradução do francês e prólogo de Lourdes Rensoli Laliga), Buenos Aires: Prometeo, 2005.
[10] LEIBNIZ, G. W. Filosofia para princesas, (prólogo, tradução e notas de Javier Echeverría),  Madrid: Alianza Editorial,  1989.
[11] Cf. LEIBNIZ, G. W. Discurso sobre la Teología Natural de los Chinos. (Tradução do francês e prólogo de Lourdes Rensoli Laliga), Buenos Aires: Prometeo, 2005.

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